Bem aqui, 2024
Aquarela sobre papel
21 x 29 cm
Aquarela sobre papel
21 x 29 cm
Right here, 2024
Watercolor on paper
21 x 29 cm
Watercolor on paper
21 x 29 cm
As coisas que acontecem na cidade nos marcam em lugares que a gente nem imagina. Mais do que um cenário, é um mapa de nossas experiências, onde cada rua, esquina ou praça carrega fragmentos de histórias. Pontos de referência emocional, marcos de momentos que definem quem somos. Mas o constante processo de transformação das cidades — com ruas que desaparecem e prédios que surgem no lugar de antigas memórias — interfere na preservação dessas lembranças, Aqui, o corpo troca com a cidade e se torna um mapa de experiências e memórias, marcado por linhas que parecem traçar caminhos invisíveis. A cidade e o corpo se tornam inseparáveis. Os acontecimentos não deixam cicatrizes apenas nas ruas, mas também em nós.
The things that happen in the city leave their mark on us in places we can't even imagine. More than a setting, it's a map of our experiences, where each street, corner or square carries fragments of stories. Emotional reference points, landmarks of moments that define who we are. But the constant process of transformation of cities — with streets that disappear and buildings that appear in place of old memories — interferes with the preservation of these memories, as if our most intimate experiences were rewritten or redrawn. Here, the body exchanges with the city and becomes a map of experiences and memories, marked by lines that seem to trace invisible paths. The city and the body become inseparable. Events don't just leave scars on the streets, but also on us.
Ser/Estar/Pertencer, 2024
série As paisagens de uma pessoa
Aquarela sobre papel
21 x 29 cm
série As paisagens de uma pessoa
Aquarela sobre papel
21 x 29 cm
Being/Belonging, 2024
series Landscapes of a person
Watercolor on paper
21 x 29 cm
series Landscapes of a person
Watercolor on paper
21 x 29 cm
“(…) Achávamos que as pessoas antes de nós não tinham entendido bem o que era o desejo, ou seja, fazíamos nossa tarefa de filósofo, pretendíamos propor um novo conceito de desejo. As pessoas, quando não fazem filosofia, não devem crer que é um conceito muito abstrato, ao contrário, ele remete a coisas bem simples, concretas. Queríamos dizer a coisa mais simples do mundo: que até agora vocês falaram abstratamente do desejo, pois extraem um objeto que é, supostamente, objeto de seu desejo. Então podem dizer: desejo uma mulher, desejo partir, viajar, desejo isso e aquilo. E nós dizíamos algo realmente simples: vocês nunca desejam alguém ou algo, desejam sempre um conjunto. Não é complicado.
Nossa questão era: qual é a natureza das relações entre elementos para que haja desejo, para que eles se tornem desejáveis? Quero dizer, não desejo uma mulher, tenho vergonha de dizer uma coisa dessas. Proust disse, e é bonito: não desejo uma mulher, desejo também uma paisagem envolta nessa mulher, paisagem que posso não conhecer, que pressinto e enquanto não tiver desenrolado a paisagem que a envolve, não ficarei contente, ou seja, meu desejo não terminará, ficará insatisfeito. Aqui considero um conjunto com dois termos, mulher, paisagem, mas é algo bem diferente.
Quando uma mulher diz: desejo um vestido, desejo tal vestido, tal chemisier, é evidente que não deseja tal vestido em abstrato. Ela o deseja em um contexto de vida dela, que vai organizar em relação não apenas com uma paisagem, mas com pessoas que são suas amigas, ou que não são suas amigas, com sua profissão, etc. Nunca desejo algo sozinho, desejo bem mais, também não desejo um conjunto, desejo em um conjunto. (…)
Não há desejo que não corra para um agenciamento. O desejo sempre foi, para mim, se procuro o termo abstrato que corresponde a desejo, diria: é construtivismo. Desejar é construir um agenciamento, construir um conjunto, conjunto de uma saia, de um raio de sol”
In: Deleuze em entrevista a Claire Parnet, em 2005, sobre sua obra com F.Gattari.